Don Juan Pond faz o que não deveria. Permanece líquido. Mesmo a 58 graus negativos. Isso é 50 graus abaixo de zero Celsius. O ar morde. O gelo se forma em todos os outros lugares. Este lago recusa.
Situa-se nos Vales Secos McMurdo, na Antártica. Um lugar cruel e desolado. A salinidade chega a 40%. Isso é incrivelmente alto. Para contexto. O Mar Morto fica com 34%. O oceano mal chega a 3,5%. Don Juan é doze vezes mais salgado do que uma banheira comum cheia de água do mar.
É xaroposo. Espesso.
Você pode pensar que um lago tão salgado simplesmente congelaria. O sal geralmente faz isso. Aqui não. O cloreto de cálcio mantém as moléculas de água separadas. Eles não podem se unir ao gelo. Eles permanecem teimosos. O resultado é uma poça de 10 centímetros de profundidade, menor que seis campos de futebol. Nomeado em homenagem a dois pilotos da Marinha, Donald e John. Avistei-o em 1961 durante o reconhecimento. Olhar de sorte.
Por que se preocupar com uma poça salgada?
A NASA sim. Parece Marte. Frio. Seco. Cheio de sais. Talvez um pouco de água também. Os cientistas encontraram micróbios perto do lago. Uma pequena vida pendurada. Se algo sobreviver lá, também poderá sobreviver no Planeta Vermelho. Ou poderia ter sobrevivido lá há muito tempo.
“Se aceitarmos que a teoria das águas subterrâneas profundas é verdadeira… estamos perante um extenso aquífero.”
Esse é Jonathan Toner. Ele gosta da teoria underground. Mas ninguém tem certeza.
Durante sessenta anos, eles adivinharam as águas subterrâneas. Bolhas subindo do fundo. Simples. Até 2013. Os geólogos da Brown University olharam mais de perto. Tirou milhares de fotos. Vi listras escuras nas encostas. Solo úmido. Lama salgada canalizando a chuva ou o derretimento da neve até o lago. Umidade atmosférica. Preso pela sujeira. Pingando.
Fazia sentido. Também se parece muito com feições de declive recorrentes em Marte. A ideia pegou. A lagoa é apenas escoamento superficial. Um truque local.
Então veio 2017.
Os modelos de computador discordaram. Simulações mostraram que a água superficial não poderia criar aquela bagunça química específica. O perfil de sal era muito estranho. Somente um aquífero profundo poderia alimentá-lo com o equilíbrio certo. De volta às águas subterrâneas. Ou foi?
Toner achou isso emocionante. Um grande sistema de água oculto é mais promissor para a vida alienígena do que um pouco de chuva. Mas os outros cientistas não ficaram convencidos. As listras são reais. As fotos não mentem.
Então temos duas histórias. Um deles diz que rios subterrâneos profundos o alimentam. O outro diz que o suor atmosférico desce pelas colinas.
Ambos os lados têm dados. Nenhum dos lados tem a palavra final. O debate se intensifica.
O que realmente o mantém molhado?
Faz diferença a direção em que a água flui se o gelo nunca chega? A lagoa fica lá. Descongelado. Aguardando uma explicação melhor.






























