Parsifal de Wagner: a ópera sagrada que definiu o Festival de Bayreuth

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Parsifal de Richard Wagner não é apenas uma ópera. É uma obra pesada e solene que o próprio Wagner chamou de ein Bühnenweihfestspiel – uma peça festiva que consagra o teatro. Apresentado pela primeira vez no Bayreuth Festspielhaus, na Baviera, em 26 de julho de 1882, é seu último drama musical. Ele morreu menos de sete meses depois, em fevereiro de 1883.

A obra foi escrita especificamente para Bayreuth. Durante muito tempo, Wagner insistiu que apenas o teatro poderia encenar. Somente na década de 1930 é que outras casas obtiveram os direitos. Em sua temporada de estreia, o festival exibiu o show dezesseis vezes entre o final de julho e o final de agosto. Wagner sabia que esse era o seu canto do cisne. Ele também sabia que isso garantiria um legado financeiro para seu filho, Siegfried. O Festival de Bayreuth permanece sob o controle da família Wagner até hoje.

Por que Parsifal é importante na história da música

Wagner baseou o libreto em Parzival, um épico alemão medieval de Wolfram von Eschenbach. Ele desmontou e reconstruiu. A história acompanha um jovem em busca. Mas por baixo da trama, Wagner estabeleceu fortes contrastes. Pureza versus profanação. Autocontrole versus licenciosidade.

Ele não era um homem convencionalmente religioso. No entanto, ele teceu o simbolismo cristão na estrutura da peça. O Graal. A Lança Sagrada que supostamente feriu Jesus na cruz. Estes não são apenas adereços. Eles são centrais para a tensão narrativa.

Os críticos muitas vezes apontam para os ensaios de Wagner de 1878 a 1881 para contextualizar. Títulos como “Moderno” e “Heroísmo e Cristianismo” revelam suas visões idiossincráticas. Seus ensaios também estão impregnados de anti-semitismo virulento. Essa sombra paira sobre o trabalho. Não se pode separar a arte dos preconceitos documentados do artista.

Por causa de sua imagem abertamente cristã, Wagner recusou-se a chamar Parsifal de ópera. Ele viu isso como um drama sagrado. A música reflete isso. É lento. É solene. Exige paciência.

Uma seção é famosa o suficiente para ser destacada em programas de concertos. A Música da Sexta-Feira Santa do Ato III. Expressa arrependimento e transfiguração. Wagner usa leitmotifs e mudanças de tom para evocar uma sensação de beleza extasiada. A peça termina com o repique dos sinos. Ele já havia dominado a orquestração até então. Ele poderia fazer a música soar como uma luz brilhante.

O elenco e personagens

O drama conta com um elenco pequeno, mas potente.

  • Parsifal (tenor): O jovem errante. Inocente. Sem saber.
  • Kundry (soprano): Uma feiticeira. Ela serve tanto aos cavaleiros quanto ao feiticeiro malvado.
  • Klingsor (barítono): O feiticeiro malvado. Ele procura manipular Kundry.
  • Amfortas (barítono): O governante do Reino do Graal. Ele sofre uma ferida que não cicatriza.
  • Gurnemanz (baixo): Um cavaleiro do Graal. Idoso. Sábio. Ele guia Parsifal.
  • Titurel (baixo): pai de Amfortas. O ex-líder. Morrendo.

Os papéis coadjuvantes incluem escudeiros, cavaleiros, donzelas de flores e jovens. Eles criam a atmosfera do ritual.

Ato I: A missão começa

A ação se move para uma Espanha medieval imaginada. A configuração é específica.

Clareira na Floresta Perto de Monsalvat

Esquires oram por seu líder, Amfortas. Ele carrega um ferimento de lança. Não vai curar. Kundry chega. Ela traz ervas da Arábia. Ela espera que eles o curem. Amfortas é transportado numa liteira. Ele não está esperançoso.

Assim que ele sai, Gurnemanz fala. Ele conta a história do Graal. Ele explica a lança que perfurou o lado de Jesus. Ele conta como Klingsor o roubou. Como Klingsor feriu Amfortas.

Somente um homem puro e inocente pode recuperar a lança. Só ele pode curar Amfortas e salvar a ordem.

Um cisne cai do céu. Atingido por uma flecha. Parsifal aparece. Ele é jovem. Ele não sabe nada do mundo. Não suas origens. Não as regras. Gurnemanz o repreende. Protestos de Parsifal. Ele não sabia que atirar no pássaro era errado.

Gurnemanz vê algo no menino. O homem puro? Ele leva Parsifal para o castelo.

O Salão do Castelo

Após a Música de Transformação, os cavaleiros se reúnem. O velho Titurel insta seu filho, Amfortas, a revelar o Graal. Amfortas se sente indigno. A cerimônia prossegue de qualquer maneira.

Parsifal observa. Ele não demonstra interesse. Ele não entende o ritual. Gurnemanz, irritado, manda-o embora.

Ato II: O Jardim da Tentação

Castelo Mágico de Klingsor

Klingsor convoca Kundry. Ela aparece com relutância. Ele ordena que ela derrote um oponente. Ele exige que ela se torne uma tentadora irresistível. Ela já fez isso antes. Ela ajudou Klingsor a ferir Amfortas.

O Jardim Mágico

Parsifal entra no jardim de Klingsor. Ele passou pelos guardas matando alguns dos cavaleiros do feiticeiro. As donzelas das flores o repreendem pela violência. Então eles tentam seduzi-lo.

Kundry chega. As outras mulheres vão embora. Ela conta a Parsifal sobre seus pais. Ela começa sua própria sedução. Ela o beija.

O beijo desperta algo em Parsifal. Paixão. Mas também conhecimento. Ele percebe quem ele é. Ele percebe que é ele quem pode salvar Amfortas. Ele se liberta.

Klingsor aparece. Ele joga a lança. Parsifal o pega no ar. Ele faz o sinal da cruz com ele.

A magia se desfaz. O castelo de Klingsor desaba. O jardim desaparece. Folhas de parsifal. Vitorioso. Mas a jornada não acabou.

O primeiro ato desta história termina aqui. A transformação está completa. Mas a cura mal começou. O que acontece a seguir?

O Peso do Tempo e o Retorno da Lança

Já se passaram anos. O castelo parece diferente agora. Mais pesado. Gurnemanz é idoso, sua voz é fina devido ao peso da memória. Ele fala da ausência de Parsifal como se fosse uma ferida física. E Amfortas? Ele está desaparecendo. Realmente desaparecendo. A ferida não cicatriza. A lança não vai parar a dor. É sexta-feira Santa de manhã. O ar está fresco, limpo, esperando.

Então Kundry aparece. Não a sedutora tentadora de antes, mas quebrada. Abjeto. Ela está de volta.

E então, ele aparece.

Uma figura misteriosa. Orando. Gurnemanz o reconhece imediatamente. Parsifal.

Eles conversam. Silenciosamente. Parsifal conta a ele o que viu em sua busca. O que ele suportou. Ele segurou a lança. Ele o manteve seguro. Isso importa. Isso muda tudo.

Com os rituais sagrados, a mudança acontece. Parsifal não é mais apenas um visitante. Ele é o novo líder. Os cavaleiros do Graal se curvam. Kundry obtém redenção. Não é uma vitória estrondosa. Está quieto. A Música da Sexta-Feira Santa aumenta. Ele lava as paredes de pedra.

Cura e Sacrifício

Amfortas não consegue andar. Não aguento. Ele é carregado para o corredor. Ainda muito fraco. Ainda em agonia.

Parsifal dá um passo à frente.

Ele não fala. Ele apenas toca o ferimento com a lança.

Está feito. Amfortas está curado.

O Graal de cristal sai do seu santuário dourado. Ele brilha. Cada vez mais brilhante. Kundry se perdoa. Perdoa a todos. Ela cai. Sem vida. No chão.

Parsifal ergue o Graal. Abençoa os cavaleiros.

Acima dele, uma pomba desce. Paira. Ainda.

É isso. Nenhum grande discurso. Apenas a pomba. A luz. O silêncio depois que a música para.

Isso realmente importava? Os anos? A dor? A lança?

Parece que sim.

Os cavaleiros olham para cima. Parsifal olha para cima. A pomba fica.

Por agora.