Conto atrevido de Alan Turing, Pryce’s Buoy mostra que ele era brincalhão, engraçado e atrevido

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Você provavelmente imagina Alan Turing como alguém frio.
Isolado. Um gênio da matemática que vivia dentro de sua cabeça e não conseguia falar com as pessoas sem fazer pausas estranhas.

Os filmes fizeram isso conosco.
O Jogo da Imitação o transformou em um herói taciturno. Benedict Cumberbatch fez seu trabalho. Mas o trabalho estava errado.

Sarah Dillon, professora de literatura em Cambridge, encontrou algo que quebra essa imagem. Ela vasculhou arquivos. Encontrei uma história manuscrita de seis páginas.
É atrevido.
É engraçado.
É sobre sexo.

Turing escreveu logo depois que o Estado britânico tentou esmagá-lo. Em 1952. Ano em que foi preso por ser gay. Um ano antes de ele morrer.

Achamos que conhecemos esse número e não sabemos. Havia mais nele.

Dillon argumenta que entendemos errado. Turing não era apenas lógica e números. Ele gostava de literatura. Ele gostava de piadas. Ele realmente gostava de sexo.

Como a história oculta de Alan Turing desafia a narrativa do jogo de imitação

Por que a versão cinematográfica importa tanto? Porque a maioria das pessoas só conhece Turing através do cinema.
Hollywood adora um gênio solitário. Eles amam o cara que se recusa a colaborar. O cara que afasta todo mundo porque eles são muito inteligentes ou muito sensíveis.

Dillon assistiu The Imitation Game novamente recentemente. Só para verificar.
Isso confirmou sua memória. É um bom filme. Também é historicamente instável.
Ele pinta Turing como unidimensional. Sem humor. Antagonista. Sozinho.

Essa é a armadilha.
Depois de ver um personagem como esse na tela, ele pega. Você para de procurar o resto da pessoa.

Dillon quer redefinir isso.
Ela acha que Turing era bastante sociável. Ou pelo menos ele não era o eremita anti-social que os filmes vendem. Ele era “brincalhão, atrevido”. Ele se envolveu com a vida mesmo quando a vida lhe dava um soco na cara.

O que é a bóia de Pryce e o que ela revela sobre a sexualidade de Alan Turing?

A história se chama Bóia de Pryce.
Está inacabado. Provavelmente escrito no final de 1952 ou início de 1953.
Os especialistas em Turing sabiam que isso existia. Mas ninguém se preocupou em transcrevê-lo. A caligrafia é confusa. Ficou marginalizado. Esquecido.

Dillon leu.

Os personagens são Alec Pryce e Ron Miller.
Alec é um cientista. Ele inventou a “Bóia de Pryce” quando tinha vinte anos. Isto é claramente autoficção. Turing se inserindo na história.
Ron é um trabalhador do sexo da classe trabalhadora. Ele está falido. Ele está desempregado. Ele vê Alec no parque.

Ele acha que pode ganhar cinco centavos. Dez minutos sob os arcos.

Eles se sentam em um banco. Ron julga Alec. Acha que parece maltrapilho, mas abastado. Alec olha para Ron. Acha que “não é uma verdadeira beleza”, mas tem “um certo apelo”.
Os mendigos não podem escolher.

Eles vão a um restaurante.
Turing capta a tensão perfeitamente. A hesitação.
Estou lendo isso certo? Eles querem isso? Posso desistir?

Dillon ressalta que Turing consegue “inclinar-se e recuar”. A incerteza. A preocupação de colocar o pé nisso.

Este não era um homem com vergonha de sua sexualidade.
Este era um homem explorando isso. Na narrativa.

De onde Alan Turing tirou inspiração literária de Angus Wilson?

Turing acabou de inventar isso?
Talvez. Mas Dillon vê influência.
Angus Wilson.

Wilson era uma grande figura literária naquela época. Agora? Principalmente esquecido.
Ele escreveu Hemlock and After. Um romance gay pioneiro.

Dillon diz que Turing copiou Wilson.
Frases. Técnicas.

Não é plágio no sentido malicioso. É um andaime. Quando você começa a escrever de forma criativa, fica com medo. Você imita as coisas que você gosta. Você constrói uma estrutura em torno de suas ideias.

Wilson forneceu a estrutura.
Turing forneceu a voz.

E a voz está confiante.
Ron diz a Alec: “Cama da cama de qualquer maneira que você a deite”.
Alec pensava o contrário. Mas a conversa está aí. Direto. Sem remorso.

Por que a linha do tempo da vida de Alan Turing é importante para esta história?

O contexto muda tudo.
1952 não foi um bom ano.
Turing foi preso em Manchester. Processado por indecência grosseira.
Ele escolheu a castração química em vez da prisão.
O tratamento foi brutal. Humilhante.

Em 1954 ele morreu. Envenenamento por cianeto. Suicídio? Acidente? O legista disse suicídio. Algumas pessoas ainda discutem.
Isso não muda a dor.

Dois anos depois ele está morto. O governo não se desculpou até 2009.
Durante cinquenta anos, ele foi um pária. Um conto preventivo.

No entanto, aqui está ele.
Escrever uma história sobre dois homens que se encontram em um parque.
Férias na Noruega naquele mesmo ano. Tendo ligações. Atmosfera social tolerante lá.
Seu espírito sexual não foi diminuído.

Dillon tem certeza.
Esta não é uma figura trágica escondida nas sombras. É um homem que manteve a inteligência. Seu gosto literário. Seu desejo.

Ele passou a ser visto como socialmente consciente… Seu conto revela uma coisa muito diferente.

As descobertas estão na Revisão de Estudos Ingleses.
Não se trata apenas de história. É sobre quem ele era quando a câmera não estava filmando.
Ou quando o código não estava sendo quebrado.

Talvez o verdadeiro Turing não fosse o lobo solitário.
Talvez ele fosse o cara que sabia conversar com uma trabalhadora do sexo num banco de parque.
Talvez isso seja mais importante que o código.

Quem sabe?
Continuamos descobrindo mais.
Os arquivos não mentem.
Mas eles escondem coisas.