Areia verde, águas azuis: Despejar pedras ajuda?

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O oceano não morreu. Essa foi a conclusão.

A primeira tentativa de adicionar olivina triturada – essencialmente areia verde – ao mar para sugar carbono do céu não encontrou grandes danos à vida no fundo no seu primeiro ano.

Aconteceu perto de Nova York. Foi promissor. Mas não deixe que isso o leve a uma falsa sensação de segurança. Os pesquisadores alertam que o quadro ainda pode estar incompleto.

Emilia Jankowska liderou o estudo da Hourglass Climate. Ela vê potencial. “Pode haver maneiras de isso funcionar”, diz ela. Efeito mínimo? Talvez. Regulamentação cuidadosa? Absolutamente necessário.

Por que estamos fazendo isso?

Porque a ONU diz que precisamos disso. Plantar árvores não é mais suficiente. Filtros de ar gigantes não são suficientes. Precisamos de todas as ferramentas disponíveis se tivermos alguma hipótese de parar o aquecimento antes que 1,5°C se torne uma memória distante. E com as emissões ainda aumentando? Estamos lutando.

A olivina é silicato de ferro e magnésio. Vem das profundezas do manto da Terra, verde e pesado. Naturalmente, ele reage com a água da chuva, capta CO2 e, eventualmente, é lançado no mar como bicarbonato estável. Isso retém o carbono durante milhares de anos. O ar condicionado original da natureza.

Poderíamos espalhar isso em terras agrícolas. Foi estudado. Poderá extrair mil milhões de toneladas de CO2 por ano. Mas a Vesta, uma startup norte-americana, quer deixar de lado as fazendas. Eles querem jogá-lo direto no oceano.

Mais CO2 se dissolve. O oceano fica mais faminto por gás atmosférico. Lógica simples.

Exceto.

Existem riscos. Metais pesados. Níquel. Cromo. Estudos de laboratório mostram que os crustáceos os absorvem. Além disso, física. A areia sufoca as coisas. Caracóis, minhocas, comedores de fundo. Se você os enterrar, eles morrerão de fome ou sufocarão.

Assim, em 2022, Vesta testou a teoria.

Eles jogaram 650 toneladas de olivina verde em uma praia de Long Island. Eles enterraram-no sob 13.500 toneladas normais de alimento de praia porque as tempestades estão erodindo a costa de qualquer maneira. As ondas fizeram o resto, arrastando os minerais para o mar.

A equipe de Jankowska coletou sedimentos antes, durante e um ano depois. Até 160 metros. Eles verificaram manchas apenas com areia normal. Contra manchas sem nada.

Um minúsculo verme, o verme sanguíneo com franjas, caiu em número.

Mas então ele se recuperou. Dois meses e o ecossistema voltou aos níveis normais. A diversidade mudou, sim, mas também mudou nas áreas de areia plana. Acontece que a alimentação na praia é bastante perturbadora de qualquer maneira. Você mexe com o fundo do mar e obtém resultados.

A parte assustadora? A toxicidade do metal.

Níquel. Cobalto. Manganês. As concentrações permaneceram baixas. Por que? O mar se move. Dilui. “O sistema natural é muito dinâmico”, observa Jankowska. As partes dissolvidas desaparecem rapidamente na vastidão.

Espere, uma verificação de conflito de interesses?

Vesta fez o monitoramento. Jankowska trabalhava lá. Sua organização recebeu verba para verificar os dados. A transparência é importante. Ainda bem que eles fizeram.

Christopher Pearce, do Centro Nacional de Oceanografia, acha que isso é importante. Ele gosta que estejamos mudando dos copos para água de verdade. “Um estudo realmente crítico”, ele o chama. Ele aponta uma compensação, no entanto. A precipitação do carbonato de cálcio retém esses metais pesados, sim, mas também impede que a água absorva mais CO2. Sempre há um custo.

Depois vem o ceticismo.

James Kerry, da OceanCare, não acredita na manchete “sem efeitos adversos”. Ele diz que é muito forte. A olivina provavelmente ficou enterrada na maior parte do tempo. Escondido sob camadas de areia branca e chata.

“É falta de acumulação”, argumenta. “Não é prova de que seja seguro. Prova de que não foi exposto o suficiente.”

Ponto justo. Se você não pode machucá-los, você não o testou adequadamente.

O jogo está se movendo mais rápido agora.

Carolina do Norte, 2024. Vesta lançou 8.200 toneladas – muito mais, em águas mais profundas – a 450 metros de profundidade. Relatórios preliminares? A vida voltou. A diversidade saltou. A ampulheta ainda está calculando os números do acúmulo de metal.

Será seguro? Talvez.
Será suficiente? Só o tempo dirá.

O oceano absorve. O oceano se dilui. O oceano não faz perguntas.

Estamos colocando mais pressão sobre um sistema que mal entendemos, esperando que a matemática funcione antes da temperatura. 🌊