Novas observações do Observatório Vera C. Rubin estão a forçar os cientistas a repensar como os asteróides se formam e sobrevivem no Sistema Solar. O telescópio, mesmo na sua fase de pré-pesquisa, detectou vários asteróides girando a velocidades anteriormente consideradas impossíveis, desafiando décadas de teoria estabelecida.
Taxas de rotação inesperadas
A descoberta mais impressionante é o asteroide 2025 MN45, um objeto de 710 metros (2.330 pés) no Cinturão Principal entre Marte e Júpiter. Ele completa uma rotação completa em apenas 1,88 minutos – muito mais rápido do que o limite de 2,2 horas além do qual os asteroides deveriam se desintegrar devido às forças centrífugas.
Este não é um caso isolado. O Observatório Rubin identificou 18 asteroides adicionais girando a velocidades igualmente altas, sugerindo que os asteroides podem ser muito mais fortes do que se supunha anteriormente. Isto é significativo porque os modelos existentes assumem que a maioria dos asteroides são “pilhas de entulho” frouxamente ligadas – coleções de rocha e poeira mantidas unidas pela fraca gravidade. Se for verdade, esses asteróides não deveriam sobreviver a uma rotação rápida.
Por que isso é importante
Durante décadas, os astrônomos acreditaram que a barreira de rotação de 2,2 horas era um limite rígido. A teoria, testada na década de 1990 e confirmada em 2000, sugeria que uma rotação mais rápida destruiria a maioria dos asteróides. As novas descobertas desafiam esta suposição, implicando que muitos asteróides podem ser compostos de materiais mais densos e coesos como rocha sólida.
Isto tem implicações importantes para a nossa compreensão do início do Sistema Solar. Estes asteróides em rotação rápida podem ser restos de colisões violentas que ocorreram durante as caóticas fases iniciais, preservando estruturas internas que a maioria dos asteróides perdeu ao longo do tempo. Por outras palavras, são como cápsulas do tempo desde o nascimento do Sistema Solar, oferecendo um vislumbre do seu passado turbulento.
O papel do Observatório Rubin
A capacidade do Observatório Rubin de catalogar asteróides com detalhes sem precedentes é fundamental. A recente campanha de observação, realizada durante nove noites entre abril e maio de 2025, analisou mais de 340 mil asteroides, medindo as rotações de 76. Dezenove deles desafiaram a barreira de rotação, incluindo três girando em menos de cinco minutos.
Os dados sugerem que um número substancial de asteróides do Cinturão Principal possui alta densidade e integridade estrutural. A pesquisadora principal, Sarah Greenstreet, observa que o 2025 MN45 “deve ser feito de um material com resistência muito alta para mantê-lo inteiro enquanto gira tão rapidamente”.
Implicações Futuras
Estas descobertas irão refinar a nossa compreensão da composição e evolução dos asteróides. Eles também apoiam missões futuras como a Lucy da NASA, que estudará asteróides de perto. A descoberta sublinha o potencial do Observatório Rubin para transformar radicalmente o nosso conhecimento dos blocos de construção do Sistema Solar.
A prevalência destes asteroides surpreendentemente duráveis sugere que os modelos atuais podem subestimar o número de asteroides sólidos e de alta densidade no Cinturão Principal. Esses dados não apenas reescreverão os livros didáticos, mas também remodelarão a forma como abordamos a exploração de asteroides e avaliamos os riscos potenciais de objetos próximos à Terra.
































