Os pesquisadores descobriram uma maneira surpreendentemente eficaz de transformar cascas de amendoim descartadas em grafeno de alta qualidade, um material aclamado como uma “substância maravilhosa” devido à sua excepcional resistência, leveza e condutividade elétrica. Este avanço poderia reduzir significativamente o custo e o impacto ambiental da produção de grafeno, acelerando potencialmente a sua utilização em tecnologias que vão desde a electrónica de consumo ao armazenamento de energia.
O problema com o grafeno
O grafeno, uma folha de átomos de carbono de camada única disposta em uma estrutura em favo de mel, possui propriedades notáveis que o tornam ideal para aplicações avançadas. No entanto, os métodos de fabricação atuais são caros e consomem muita energia, dificultando a adoção generalizada. Encontrar alternativas mais baratas e sustentáveis é crucial para desbloquear todo o potencial do grafeno.
Do lixo ao material maravilhoso
Uma equipe da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália, demonstrou que as cascas de amendoim – um enorme subproduto agrícola com mais de 10 milhões de toneladas geradas anualmente – contêm abundante lignina rica em carbono que pode ser convertida em materiais semelhantes ao grafeno. A chave é um processo de aquecimento rápido denominado aquecimento flash joule (FJH). Esta técnica utiliza um pulso elétrico breve e intenso para atingir temperaturas superiores a 3.000°C em milissegundos, reestruturando os átomos de carbono em estruturas grafíticas.
Otimizando o Processo
Os pesquisadores descobriram que simplesmente aplicar o FJH não era suficiente. A qualidade do grafeno final dependeu muito de como as cascas do amendoim foram pré-tratadas. Eles descobriram que um processo de aquecimento escalonado – primeiro a 500°C para remover impurezas, seguido por uma etapa de temperatura mais alta – produzia um carvão rico em carbono, ideal para conversão. Isto garante defeitos mínimos no grafeno resultante, maximizando suas propriedades condutoras.
“O que mostramos neste trabalho é que cascas básicas de amendoim podem ser transformadas em grafeno de alta qualidade, usando muito menos energia do que a necessária atualmente e, portanto, a um custo menor”, explica o engenheiro mecânico da UNSW, Guan Yeoh. “Também não precisamos de utilizar quaisquer produtos químicos, pelo que há um benefício ambiental adicional.”
Expansão e potencial futuro
Embora o processo atual produza grafeno de alta qualidade com algumas camadas empilhadas, a comercialização ainda levará três a quatro anos. A equipe já está explorando se métodos semelhantes poderiam funcionar com outros resíduos orgânicos, como borra de café ou cascas de banana. As implicações são significativas: ao transformar os resíduos agrícolas num recurso valioso, esta abordagem aborda tanto a sustentabilidade ambiental como a escassez de materiais.
Esta pesquisa ressalta o potencial inexplorado da biomassa como fonte de materiais avançados. Se for bem sucedido, poderá transformar a gestão de resíduos e, ao mesmo tempo, impulsionar a inovação numa vasta gama de indústrias.






























