Beijar e amar: a ciência surpreendente por trás da troca de saliva

17
Beijar e amar: a ciência surpreendente por trás da troca de saliva

Beijar não é apenas um gesto romântico; é uma troca microbiana complexa que pode impactar profundamente a forma como nos apaixonamos. Uma nova pesquisa sugere que a troca de saliva – e as dezenas de milhões de micróbios dentro dela – poderia desempenhar um papel mais significativo no afeto e na intimidade do que se entendia anteriormente.

A troca microbiana da intimidade

O microbiologista Remco Kort, da VU Amsterdam, propõe que a troca de bactérias orais durante o beijo profundo não é apenas um efeito colateral da intimidade, mas um potencial impulsionador dela. A boca humana é a segunda comunidade bacteriana mais diversa do corpo, e a partilha de micróbios pode ter efeitos inesperados na nossa saúde, nas nossas hormonas e até nos nossos sentimentos de amor.

Como beijar muda sua biologia

Quando os humanos se beijam, eles não estão apenas compartilhando afeto; eles estão se inoculando com micróbios orais. Isto não é apenas uma peculiaridade biológica; poderia ser uma forma de “vacinação oral”, oferecendo benefícios surpreendentes à saúde. A transferência de bactérias pode alterar o microbioma intestinal, influenciar os níveis hormonais e até afetar a função cerebral. Com o tempo, os casais que se beijam com frequência desenvolvem comunidades bacterianas orais cada vez mais semelhantes.

O ciclo de feedback do amor e da saúde

A investigação de Kort sugere que esta semelhança microbiana cria um ciclo de feedback positivo: o amor e o carinho melhoram a saúde, enquanto a boa saúde reforça a intimidade. A troca de saliva também introduz hormônios como cortisol e adrenalina, impactando potencialmente o estado fisiológico do parceiro. Além disso, as bactérias bucais podem até responder a mensageiros neurais como a oxitocina, a dopamina e as endorfinas, amplificando a sensação de prazer durante o beijo.

Raízes Evolutivas e Benefícios Imunológicos

O beijo apaixonado também pode ter vantagens evolutivas. A partilha de micróbios pode ajudar os parceiros a desenvolver imunidade aos agentes patogénicos uns dos outros, oferecendo uma forma de resistência natural às doenças. No entanto, esta troca também acarreta o risco de propagação de doenças, razão pela qual o beijo de boca aberta é geralmente reservado a parceiros de confiança.

O que isso significa para o futuro

Embora essas ideias ainda sejam hipotéticas, Kort propôs estudos para testar essas teorias. O próximo passo pode envolver casais que se submetam voluntariamente a análises detalhadas da sua saliva – e descubram até que ponto a sua biologia se tornou entrelaçada.

A ciência do beijo revela uma camada oculta de complexidade biológica sob a superfície do romance. Compartilhar saliva pode ser um ato muito mais poderoso do que jamais imaginamos, ligando afeto, saúde e até mesmo os próprios sentimentos de amor por meio do mundo invisível dos micróbios.